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Superbactéria, que pode ter causado mortes em Montes Claros, poderia ter sido evitada

Superbactéria, que pode ter causado mortes em Montes Claros, poderia ter sido evitada

 

O alarme causado na população montes-clarense no início deste ano, depois da identificação e detecção da presença da superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) que resultou na morte de duas pessoas, a disseminação da potente bactéria poderia ter sido evitada. Outros dois óbitos de pessoas que teriam sido contaminados pela KPC ainda são investigados e não tiveram os resultados divulgados.

No dia 24 de janeiro deste ano, autoridades de saúde de Montes Claros concederam entrevista coletiva para falar sobre as medidas que o município estava tomando, após onze pessoas, que estavam no Centro de Terapia Intensivo (CTI)do Hospital Aroldo Tourinho serem diagnosticadas com a superbactéria KPC.  Na oportunidade, Ana Paula Nascimento, secretária de saúde municipal, disse que era provável que a bactéria tenha vindo para Montes Claros com algum paciente que esteve internado em outro município na qual a bactéria já estava presente ou  que tenha surgido na cidade, após o uso indiscriminado de antibióticos.

Contudo, em nota divulgada no dia 11 de março deste ano pela Faculdade Unidas do Norte de Minas (Funorte), no mês de novembro do ano passado, a egressa Anne Caroline Dias Santos, foi a responsável pela identificação da “Super Bactéria”, no Hospital Aroldo Tourinho. A “Super Bactéria”, a primeira identificação realizada pela biomédica no hospital foi em novembro de 2013. “A identificação ocorreu na rotina da microbiologia, usando os critérios de mapeamento de enterobactérias produtora de carbapenemase (KPC) preconizado pela ANVISA segundo a Nota Técnica 1/2013. O resultado foi confirmado pela FUNED, 30 dias após a minha identificação”, ressalta.

De acordo com um coordenador de um Centro de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) que optou por não ter o nome divulgado, a disseminação da superbactéria poderia ter sido evitada se a divulgação tivesse ocorrido precocemente, consequentemente,  medidas teriam sido implementadas de forma genérica e inespecífica, reduzindo assim disseminação. ”É possível questionar o porque da demora na divulgação da descoberta. Não podemos afirmar que as mortes teriam sido evitadas por que é preciso um estudo mais amplo do problema. O paciente já estava contaminado quando deu entrada no hospital ou foi contaminado a partir da internação? Ele morreu por causa da bactéria ou devido ao problema de saúde que o acometia? São questionamentos que devemos fazer, mas se houvesse a divulgação da descoberta ainda no mês do novembro quando eles descobriram, é possível afirmar que a disseminação poderia ter sido evitada. Embora seja simples, lavar as mãos é medida mais eficaz para evitar bactérias e uma das medidas que poderia evitar a proliferação”, afirma.

Ainda de acordo com a nota divulgada pela Funorte, de acordo com Anne Caroline, o fator causador para o surgimento da bactéria é uma mutação genética por uso indiscriminado de antibióticos. Portanto, muitos hospitais do país e do mundo já identificaram a bactéria, mas, segundo a Sociedade Brasileira de Microbiologia faltam profissionais microbiologistas especializados e capazes de identificar a bactéria. “Infelizmente no Brasil tem uma escassez desses profissionais o que faz com que muitas instituições não identifique a KPC e por isso, não tome as medidas necessárias para impedir a sua disseminação”, fala a biomédica.

Os indivíduos mais susceptíveis a este tipo de bactéria são os pacientes imunodeprimidos, com doenças crônicas com longos períodos de internação hospitalar e os que estão em unidades de terapia intensiva correm maior risco de contrair infecção. Os riscos que os pacientes enfrentam referem-se aos antibióticos, uma vez que, eles não fazem efeito, devido ao seu poder de resistência.

Durante a coletiva realizada no mês de janeiro, o coordenador clínico da Secretaria municipal de Saúde, Claudio Henrique Rebello, explicou que a KPC faz parte da flora intestinal das pessoas e pode ser transmitida por meio do contato. As complicações ocorrem somente em casos de pacientes com baixa imunidade, como os que estão com câncer em estágio avançado ou passaram por transplantes. “No organismo de uma pessoa saudável, a bactéria morre sozinha, a nossa preocupação é evitar que ela volte para o ambiente hospitalar. Quem veio a óbito com a KPC, provavelmente não morreu da KPC, era um paciente muito debilitado, que morreria se pegasse uma gripe”, afirma o médico ao enfatizar que os sintomas da KPC são comuns como outros de quaisquer bactérias. Ao entrar na corrente sanguínea, a superbactéria pode causar febre alta, pneumonia e formação de pus, por exemplo. A dificuldade, segundo o especialista, é que os antibióticos que fazem efeito na maioria dos casos, não combatem à KPC.

Jornal de Notícias

 

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