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Polícia diz que o secretário usava carro e telefone da prefeitura de Bocaiúva para traficar drogas e armas

Polícia diz que o secretário usava carro e telefone da prefeitura de Bocaiúva para traficar drogas e armas

 

A Polícia Civil de Bocaiuva (MG) procura pelo ex-secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Jhonny Patrick de Araújo, de 32 anos, investigado por tráfico de drogas e comércio ilegal de armas. Segundo informações obtidas pela reportagem do G1, ele teria pedido exoneração do cargo na sexta-feira (13), alegando que estaria com problemas de saúde e precisava se tratar.

As investigações sobre o caso começaram há quatro meses. Na época, a Polícia Civil monitorava um traficante e, durante o procedimento, foi levantado o envolvimento do ex-secretário no crime de tráfico de drogas. A investigação foi desmembrada e um dos ramos passou a ter Jhonny Patrick como foco. A Justiça expediu dois mandados de busca e apreensão, para a casa e a loja de roupas do suspeito, e um mandado de prisão para serem cumpridos nesta terça-feira (17), mas nenhum objeto foi apreendido.

O delegado Leonardo Diniz afirma que Jhonny Patrick comercializava somente cocaína, “por tratar-se de uma droga direcionada para classes economicamente superiores, já que o investigado tinha o interesse em manter a descrição. Por isso, o fornecimento era feito apenas para pessoas de um grupo seleto”.

Em uma das escutas, autorizadas pela Justiça, um conhecido de Jhonny pede a ele que leve “a tinta da impressora”, termo que seria usado para fazer menção à cocaína.

Interlocutor: Eu tô aqui entrando nessa esquerda de terra no fundo do cemitério.
Jhonny: No fundo do cemitério? Indo pra moto pista?
Interlocutor: Antes da moto pista, do posto, antes do cemitério a esquerda.
Jhonny: ‘Cê’ tá sozinho?
Interlocutor: Eu tô mais (fala nome de duas pessoas).
Jhonny: Só tá vocês três?
Interlocutor: Só nós três, chega aí, daqui a gente sai pra digitar aquele texto.
Jhonny: Me explica mais ou menos onde é, tô aqui pertinho.
Interlocutor: Traz a tinta da impressora, minha tinta acabou, pra gente digitar o texto e imprimir.
Jhonny: Ah tá, tá aqui comigo.

Em outra conversa é possível ver que Jhonny nega que esteja mexendo com os “produtos”.

Jhonny: O meu chegado, tô fazendo a rotatória aqui.
Interlocutor: Deixa eu te perguntar um negócio, você não tem nada aí não?
Jhonny: De que você fala?
Interlocutor: Produto?
Jhonny: Nada, tô mexendo não, não mexo mais não.

De acordo com o delegado, a maior parte das ligações foram feitas e recebidas do celular corporativo do então secretário. Além disso, Leonardo Diniz destaca que a droga, que vinha deMontes Claros (MG), chegou a ser transportada por algumas vezes em carros do munícipio.

“As investigações apontam ainda que a comercialização era feita na loja de roupas, que por vezes, foi aberta rapidamente em horários duvidosos, no meio da madrugada, por exemplo”, diz o delegado.

A procedência das armas ainda está sendo investigada, mas segundo Leonardo Diniz, o público alvo era o mesmo um seleto grupo de pessoas da inteira confiança do ex-secretário. Em outra escuta é possível identificar a existência do comércio de armas.

Interlocutor: Você também pegou um serviço na prefeitura, né Jhonny?
Jhonny: Peguei, é um serviço bom na prefeitura, sou secretário lá agora.
Interlocutor: Legal, que tipo de cargo?
Jhonny: Sou secretário de Desenvolvimento Econômico.
Interlocutor: Johnny? A ligação tá cortando o sinal tá ruim, não tô ouvindo muito bem.
Jhonny: Oi? Tá me ouvindo?
Interlocutor: Agora eu tô. Eu falei você pegou que cargo aí na prefeitura?
Jhonny: Sou secretário do prefeito, da área de Desenvolvimento Econômico, mexo com Sine com CVT…
Interlocutor: Que beleza Jhonny, que bom, vai dar pra dar uma levantada, né?
Jhonny: Vai dar pra dar uma levantada legal, graças a Deus.
Interlocutor: Na verdade tô precisando de uma arma, um 38. Você não consegue pra mim, não?
Jhonny: Eu também tava precisando, tá difícil encontrar aqui.
Interlocutor: Tô sem arma. Arrependi demais de ter vendido aquela pistola que você me passou.
Jhonny: Até eu arrependi de ter passado ela também, porque tá difícil.
Interlocutor: Eu vendi, fiquei sem, aqui não tem quase contato pra esse tipo de coisa.
Jhonny: Eu tenho uma camarada aqui que tem, o preço não é muito bonzinho.
Interlocutor: O que tem aí? Eu compro no dinheiro. Se você arrumar pra mim, a gente faz rolo em outras coisas. Que tipo de arma eu consigo?
Jhonny: Arrumo uns 38 bonitos pra você.
Interlocutor: Qual o valor que eles tão pedindo aí?
Jhonny: Aqui eles tão pedindo na faixa de R$ 1.800, de R$ 1.500 pra cima.
Aquele de cinco tiros?
Jhonny: Acha uns bonitos, mas o preço médio é tudo R$ 1.800.
Interlocutor: Quer dizer que eu acho?
Jhonny: Acha. Eu tenho um camarada que tem uns dois aqui, trem fino, filé, sua cara.

Para o delegado, a posição de funcionário público e ocupante de um cargo de confiança do prefeito vai contra a conduta de Jhonny Patrick. “Nos choca que ele é de uma família conceituada na cidade, 99% dos presos que tenho aqui, não tiveram muitas oportunidades. Já ele chegou a iniciar um curso superior. Além disso, o genitor dele é muito respeitado, é vereador, é formado em direito.”

katola

A reportagem do G1 esteve com o pai de Jhonny, João Batista de Araújo, que informou que o suspeito está se tratando de uma hepatite. Ele classificou as denúncias como “infundadas” e disse que “foram orquestradas pela oposição”.

Citou ainda uma postagem feita em um rede social, no dia 10 de setembro, sendo que o mandado teria sido expedido no dia seguinte. Sobre esse argumento afirmou ainda que a pessoa que postou a informação seria um jornalista, que teria ligação política contrária as estabelecidas por Jhonny Patrick.

João Batista de Araújo disse também que seu filho irá se apresentar para prestar esclarecimentos, o mais rápido possível, mas não estipulou um prazo. “Ele não vai fugir de prestar esclarecimentos, é comerciante, ocupa o cargo de secretário, tem família e tem berço. Tenho certeza da inocência do meu filho”, afirma Araújo.

Karla Leal, funcionária de Jhonny Patrick, caracterizou a situação como “uma injustiça”. “Trabalho aqui há muito tempo, ele é uma pessoa maravilhosa e meu amigo pessoal. Nunca houve nada de comércio de drogas ou armas aqui.”

Posicionamento da prefeitura

O secretário de Governo de Bocaiuva, Juscelino Oliveira, disse que Jhonny Patrick pediu a exoneração do cargo na sexta-feira (13) por vontade própria, afirmando ter a necessidade de se tratar, já que passava por problemas de saúde.

Oliveira afima ainda que, antes de nomear os cargos de confiança, foram realizadas consultas cível e criminal, e foi constatado que o ex-secretário não tinha nenhum pendência legal. Além disso, nunca chegou ao conhecimento da Administração Municipal que ele fizesse uso de equipamentos públicos para cometer algum tipo de crime.

Fonte: Inter TV Grande Minas

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