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Invicto, Cruzeiro conquista o 37º título do Campeonato Mineiro

Invicto, Cruzeiro conquista o 37º título do Campeonato Mineiro

 

O Cruzeiro não jogou um futebol brilhante, mas fez por merecer ser campeão mineiro pela 37ª vez em sua história. Neste domingo, diante de sua torcida, o clube celeste dominou todas as ações do clássico contra o Atlético, chutou mais vezes ao gol e ofereceu constante perigo durante grande parte dos 90 minutos. Só que o excesso de finalizações erradas e o preciosismo em lances próximos ao gol impediram a Raposa de comemorar o título com vitória. Por ter feito melhor campanha na primeira fase, terminando na liderança, com 29 pontos, a equipe comandada por Marcelo Oliveira garantiu o troféu do centésimo Estadual com empate em 0 a 0, no Mineirão.

O caminho cruzeirese até o título registrou 15 partidas, com 11 vitórias e quatro empates. Foram 27 gols marcados e apenas cinco sofridos. Melhor ataque, defesa menos vazada e aproveitamento de 82,2%. Marcelo Moreno, com quatro tentos, terminou como artilheiro celeste. O Atlético, por sua vez, triunfou oito vezes, empatou cinco e perdeu duas, conquistando 64,4% dos pontos. A equipe treinada por Paulo Autuori não esteve inspirada na tarde deste domingo e sentiu difciuldades tanto para anular os adversários quanto na parte ofensiva. O quarteto formado por Ronaldinho, Tardelli, Jô e Guilherme foi presa fácil para Bruno Rodrigo, Dedé, Henrique e Lucas Silva.

Embalado pela conquista estadual sobre o maio rival, o Cruzeiro volta as suas atenções para a Copa Libertadores da América. Também no Mineirão, estádio no qual conta com excelente aproveitamento, vai enfrentar o Cerro Porteño pelo jogo de ida das oitavas de final, na quarta-feira que vem, às 22h. O Atlético, por sua vez, entra em campo no próximo domingo contra o Corinthians, na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. A partida acontecerá no Parque do Sabiá, em Uberlândia, às 16h.

Bola na trave e supremacia celeste

O clássico começou “pegando fogo”. Logo no primeiro minuto, o Cruzeiro trocou passes no campo de ataque. Pela direita, Dagoberto escorou em direção à meia-lua e Lucas Silva carimbou o travessão ao desferir potente chute de fora da área. O grito de gol ficou engasgado na garganta de todos os cruzeirenses. Dono do terreno, o clube celeste se mostrava mais calmo e colocando a bola no chão. O Galo, por sua vez, tentou ligações diretas ao ataque através de lançamentos longos, mas sem muito sucesso.

Na primeira oportunidade em que tentou passar a bola de pé em pé, o Galo assustou a torcida adversária no Mineirão. Aos 11, Alex Silva e Ronaldinho Gaúcho tabelaram e o lateral alvinegro bateu rasteiro para a grande área. Esperto, Samudio deve ter pensado no clichê: “bola pro mato que o jogo é de campeonato”. O corte do paraguaio foi providencial e impediu que a redonda chegasse macia nos pés de Diego Tardelli. Talvez tenha sido a única chance perigosa do Atlético no primeiro tempo.

Depois de alguns minutos sem emoções, o Cruzeiro, que tinha mais volume de jogo, esteve muito próximo de inaugurar o marcador em duas oportunidades. Na primeira, aos 26, Everton Ribeiro recebeu a bola em rápido contra-ataque e perdeu gol incrível, cara a cara com Victor. O toque por cobertura passou à direita da baliza. Depois, Júlio Baptista ganhou no corpo de Alex Silva e, de dentro da área, exigiu ótima defesa de Victor. O Galo respondeu aos 29: Jô recebeu passe pela direita e tocou por cima de Fábio. Contudo, a bandeira do auxiliar Alessandro Rocha de Matos já estava corretamente levantada.

Mesmo chutando menos do que poderia, o Cruzeiro seguiu dominando as ações. Tocava com calma, sem pressa e tinha os habilidosos Dagoberto e Everton Ribeiro como jogadores mais perigosos. A marcação do Atlético era frouxa, ineficaz e oferecia espaços. Os 10 últimos minutos da etapa inicial se resumiram ao ataque azul e branco contra a defesa alvinegra. Em uma das finalizações, Júlio Baptista virou linda bicicleta e parou nas mãos de Victor. Depois, Dagoberto levou a bola para o pé direito e também foi bloqueado pelo arqueiro do Galo. Apesar disso, o primeiro tempo terminou empatado: 0 a 0.

Polêmica no fim do segundo tempo

O técnico Paulo Autuori não ficou nada satisfeito com o poder de criação do Atlético no primeiro tempo. No intervalo, ele mexeu no esquema tático da equipe: substituiu Guilherme por Fernandinho e retornou ao habitual 4-2-3-1. Já o Cruzeiro voltou com a mesma equipe e começou melhor o segundo tempo. Aos três minutos, Everton Ribeiro tabelou com Ceará e bateu de fora da área. Victor espalmou para o lado. Pouco depois, os cruzeirenses voltaram a ficar com o grito de gol preso no peito. Júlio Baptista tocou rasteiro, Everton fez o corta-luz e Ricardo Goulart, na entrada da área, chutou de primeira ao lado.

A tônica do segundo tempo seguiu idêntica à do primeiro: Cruzeiro com mais volume de jogo e Atlético cedendo espaço demasiado. O armador Everton Ribeiro estava endiabrado. Carregava a bola, driblava e infernizava seus marcadores. Mas as finalizações, entretanto, continuavam erradas. O problema do time celeste era o último passe. Já o Atlético permanecia com dificuldades na marcação. Pierre, já amarelado, era facilmente envolvido e não conseguia sair jogando com qualidade. Acabou substituído por Claudinei. Preocupado com a criação, Paulo Autuori ainda colocou Neto Berola na vaga de Michel, mas não surtiu tanto efeito. O quarteto ofensivo do Galo, formado por Ronaldinho, Tardelli, Jô e Fernandinho, continuou apagado.

O excesso de erros do Cruzeiro no ataque quase custou o título no fim do confronto. Num lance de ataque do Atlético, aos 43, Jô recebeu passe na entrada da área e, em dividida com Dedé, foi ao chão. Desesperados, os alvinegros foram reclamar com o auxiliar Fábio Pereira a marcação de um pênalti. Contudo, apenas o impedimento estava assinalado. O objetivo de segurar o empate, o clube estrelado se fechou todo atrás da linha da bola. O Galo insistiu nas jogadas pelo alto, mas todas acabaram cortadas pelo sistema defensivo cruzeirense. Festa estrelada no Mineirão e gritos de campeão mineiro após duas conquistas consecutivas do rival.

CRUZEIRO 0X0 ATLÉTICO

CRUZEIRO
Fábio; Ceará, Dedé, Bruno Rodrigo e Samudio; Henrique, Lucas Silva, Everton Ribeiro (Tinga, aos 43 do 2ºT), Ricardo Goulart e Dagoberto (Souza, aos 29 do 2ºT); Júlio Baptista
Técnico: Marcelo Oliveira

ATLÉTICO
Victor; Michel (Neto Berola, aos 27 do 2ºT), Leonardo Silva, Otamendi e Alex Silva; Pierre (Claudinei, aos 27 do 2ºT), Leandro Donizete, Ronaldinho Gaúcho e Guilherme (Fernandinho, no intervalo); Diego Tardelli e Jô
Técnico: Paulo Autuori

Motivo: jogo de volta da final do Campeonato Mineiro
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte
Data: 13 de abril de 2014
Árbitro: Leandro Pedro Vuaden (RS)
Assistentes: Fábio Pereira (TO) e Alessandro Rocha de Matos (BA)
Cartões amarelos: Leandro Donizete, aos 43 do 1ºT; Samudio, aos 16, Michel, aos 23, Pierre, aos 25, Dagoberto, aos 29, Everton Ribeiro e Neto Berola, aos 40 do 2ºT

(Fonte: Super Esportes)

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