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Há 113 anos nascia José Maria Alkmim, um dos maiores nomes da história de Bocaiúva

Há 113 anos nascia José Maria Alkmim, um dos maiores nomes da história de Bocaiúva

Há 113 anos nascia Alkmim, a maior expressão de Bocaiuva
                  *  Burity
                        O começo de tudo
  
     Alkmim nasceu em um lugar pobre, no interior de Minas, a sua Bocaiuva, que tão bem divulgou por esse Brasil afora.  Do seu pai, comerciante e símbolo de trabalho e honestidade, recolheu exemplos de conduta ilibada. Dele, também a oportunidade de se educar, aprendendo a leitura para aprimorar o espírito pela reflexão e também pela meditação.  Da mãe, extremosa em seus desvelos maternais e afanosa em seus intermináveis encargos domésticos, aprendeu a amar ainda mais o trabalho e a respeitar os sentimentos dos menos favorecidos.
      E, na certa, viveu da infância à juventude, frequentes inquietações, provindas das periódicas revelações de crises sociais, econômicas e políticas, divulgadas à época pelos rudimentares rádios de galena e pelos jornais tardios, que lançavam no ar e nas bancas, as mesmas imagens de um País que buscava a se encontrar.
      O jornalista Bandeira de Mello, quando pesquisando sobre a vida de José Maria de Alkmim, relatou o seguinte:
“Afinal, Alkmim era tudo isto que foi? Em parte sim. Em parte não. Na verdade, o começo de tudo foi a doença. E o final também.  No começo, ele pegou malária em Bocaiuva, sua terra. O pai o mandou para tratar em Diamantina.
      Se pudesse estudaria também. Mas só se pudesse, pois a família era grande e apenas remediada. O pai, casado duas vezes, tinha treze filhos, no total. Do segundo casamento, Alkmim e mais nove irmãos, sendo uma, Maria José, gêmea com ele. Esta morreu de câncer, em novembro de 1972, no hospital São Lucas.
      O pai, Herculano, filho do segundo casamento do guarda – mor, tinha um pequeno sítio. E era comerciante. A mãe fazia doces que Alkmim vendia nas ruas de Bocaiuva e nos povoados. O pai não era político de participar, mas engajado no movimento liberal-progressista comandado, no Norte de Minas, por Camilo Prates. A outra facção, conservadora, era chefiada pelos irmãos João José Alves, marido da famosa Tiburtina, de Montes Claros, e Honorato Alves. A política, naquele tempo, era a paixão de todos e a desgraça das famílias, que se desentendiam até a morte. No Norte de Minas, pobre e sofrido, sem estrada, sem energia, sem nada, Alkmim jovem, via tudo e ficava imaginando: quanta luta por nada, só pelo poder, onde o nada é tudo. Mas a política fervilhava e se confundia com os valores da sociedade da região, aparentemente antagônicos, mas reais: bravura e hospitalidade…”
          O folclore político
      Muitas reportagens foram feitas, narrando as passagens políticas de doutor Alkmim. O jornal, Estado de Minas contou o seguinte:
     “Conhecido no país inteiro, o folclore político de Alkmim, considerado a maior “raposa” política de Minas, é por demais rico. Ele, entretanto, costumava negar o que contava dele.
     – São lendas, dizia. Talvez a vitória de sua astúcia, foi incluir sua terra Bocaiuva, na área mineira da SUDENE, apesar dos protestos dos nortistas, na bancada Federal.
     Conta-se muita coisa de Alkmim: como Secretário da Educação de Israel Pinheiro, atendia os políticos do PSD com o ouvido direto, e os da UDN com o esquerdo, que muitos diziam ser mais surdo. E também que ele tinha um botão a seus pés, debaixo da mesa. Quando alguém começava a pedir demais, ele o apertava, e então o telefone tocava. Alkmim atendia, e simulava uma conversa com o então governador Israel Pinheiro. Depois, pedia licença dizendo que o governador o queria ver com urgência.
      – São histórias – defendia-se Alkmim.
      – Essa gente gosta de brincar. Contudo, conta-se mais: como Ministro da Fazenda, lançou uma campanha contra o sistema de crediário. Os comerciantes protestaram. Juscelino o chamou:
       – Alkmim, eles estão dizendo que você está prejudicando o comércio, com a campanha contra a venda a prestação. – Mas, presidente, respondeu Alkmim, eu não estou contra a venda a prestação. Estou contra é a compra a prestação.”
                       Doença e fim
 
      No dizer de Joaquim de Freitas, homenageando Alkmim com um discurso, “há dois momentos na vida em que o homem se sente imensamente infeliz: quando perde a liberdade e quando perde a saúde. Ao lado desses infelizes sempre se encontrou Alkmim. Seja na Penitenciária Agrícola de Neves, da qual foi diretor, ou na Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte, sendo o seu maior provedor”.
      E, em dois de setembro de 1973, Dr. Alkmim teve uma trombose na carótida interna esquerda, seguida de hemiplegia do lado direito. O seu estado foi piorando gradativamente com a esclerose difusa invadindo o seu cérebro, impedindo-o de até pensar. Depois uma outra trombose no lado esquerdo, além de várias outras micro – tromboses o que veio impedir de andar, passando a usar a cadeira de rodas. Resistiu à doença até às 22.25 hs. do dia 22 de abril de 1974, quando veio a falecer.
      No mês de dezembro de 1973, quando ainda conversava, ele falou a um dos médicos, conforme o relato do jornalista Bandeira de Mello:
       – “Doutor, queria pescar. Era sua alegria, das poucas, além de caça, quando esta era permitida. Mas só em Bocaiuva, nos cerrados bobos, aonde de vez em quando passa uma codorna. Confessou, logo, entre a tristeza e a poesia, antes que o médico dissesse alguma coisa:  – Está bem, eu sei que é impossível, mas sabe doutor, segurando um caniço, sozinho, num rio ou numa lagoa qualquer, longe de tudo, há sempre um homem sonhando. Eu queria sonhar um pouco. Agora.”
                                          O Centenário – junho de 2001
      Bocaiuva participou condignamente das comemorações do Centenário de Doutor José Maria Alkmim. O primeiro gestor municipal, Alberto Caldeira de Mello comandou, com bastante entusiasmo tais eventos comemorativos. José Henrique (Juca) Brandão, por delegação do prefeito municipal foi o orador oficial do evento principal, ocasião que traçou os momentos importantes da rica biografia do homenageado, legendário e extraordinário homem público, sociólogo político e humanista.
      Essas homenagens aconteceram desde o dia onze de junho de 2001, com a publicação de uma matéria excepcional no jornal O DEBATE, quando se ofereceu aos seus leitores uma visão mais profunda e detalhada desta extraordinária figura que foi José Maria Alkmim.
     Durante a semana, uma série de atividades esportistas aconteceram na Associação Atlética Banco do Brasil, uma missa solene na Matriz do Senhor do Bom Fim e um show musical na Praça Principal da cidade.
                   Câmara e senado homenageiam doutor Alkmim – junho 2001
     Qualidades intelectuais e morais não faltaram a José Maria Alkmim, porém a qualidade que o distinguia, o esforço que o imortalizou foi, sem dúvida, o da atividade parlamentar e política.
     É bem verdade que, logo no início de sua carreira, a chamado do Governador Benedito Valadares, o sábio político avesso aos enganos da publicidade, aceitou a responsabilidade de implantar em Minas o primeiro estabelecimento penitenciário do País, a Penitenciária Agrícola de Neves, cujo modelo foi José Maria Alkmim buscar na experiência penitenciária suíça e que por muitos e muitos anos, constituiu o foco primeiro de irradiação das primeiras práticas de ressocialização dos condenados às penas de penas de prisão. Tendo reduzido drasticamente os índices de reincidência criminal do Estado, a Penitenciária Agrícola de Neves, por obra da habilidade e da competência jurídica de José Maria Alkmim, constituiu uma experiência como jamais se havia feito no País e de cuja existência até hoje extraímos lições necessárias ao aperfeiçoamento ou à humanização deste chamado sistema penitenciário brasileiro, que hoje não passa de simples depósitos de homens e de mulheres.
     Mas, o que distingue José Maria Alkmim, o que projeta em nossa profunda admiração, é o político o parlamentar, o orador. Todos nos lembramos mesmo àqueles que ao tempo eram simples estudantes, da sua admirável atividade como líder da ação parlamentar aos embargos militares à candidatura de Juscelino Kubitschek. Juscelino era, sem dúvida, uma estrela de primeira grandeza, mas pertencia a uma constelação de homens públicos do mais alto nível e do mais profundo desvelo para com o nosso País. (Ibrahim Abi-Ackel -deputado federal)
                                                     *-*-*-*
      Na fulgurante trajetória de José Maria Alkmim, cujo Centenário de Nascimento agora se celebra, deparando-nos dignamente concepção e vida pública.
     Este homem singular de personagem de inconfundível realce da história política brasileira do século 20. Primou pela perfeição, em todas as atividades a que se consagrou, conforme registra o saudoso escritor Vivaldi Moreira.
     Com idealismo, muita dignidade pessoal, exemplar correção no trato da coisa pública, o pensamento permanente voltado para as questões fundamentais da vida brasileira, Alkmim simboliza na exata dimensão o que se pode denominar, na classificação popular, de um verdadeiro Homem de Bem.
     Homem de bem que acreditava nas instituições à base de calor humano e na importância vital do diálogo na remoção dos empecilhos que travam as soluções dos problemas na convivência humana.
      Alkmim foi ponte de lição entre gerações. Entre épocas. Homem afeiçoado ao diálogo, fez do exercício da liderança uma arte. Sabia, tão bem quanto Bismark, autor da frase, que a política não é uma ciência exata, mas uma arte. Colocou a sua arte, como semeador de ideias e construtor de obras da causa pública.
     Em 22 de abril de 1974, aos 73 anos de idade, José Maria Alkmim “partiu primeiro” – como diria Camões em lírica interpretação do sentido da morte. (Senador José Alencar da Silva)
                                           *-*-*-*-
      A Nação brasileira, por esta Casa do Senado Federal, reverencia com profundo sentimento de gratidão a figura de um grande mineiro e um grande brasileiro, realizando esta sessão solene em sua homenagem ao ensejo do Centenário de seu Nascimento, ocorrido no dia 11 de junho de 2001.
       A vida de Alkmim é uma sucessão de triunfos, em meio dos quais alguns reveses serviram apenas para argamassar ainda mais sua férrea vontade de construir uma carreira política voltada para a defesa dos interesses da região norte-mineira, que representou no Congresso Nacional enquanto viveu.
      Nos deixou no dia 22 de abril de 1974, e levou a sagacidade, a experiência acumulada e profunda sensibilidade política, deixando como exemplo para todos nós – seus sucessores, jamais substitutos- a lição de honradez e patriotismo.
      José Maria Alkmim, o mineiro de Bocaiuva, honrou o povo mineiro, dignificou Minas Gerais, foi fundamental para o Brasil em momentos de crises e deixou aos seus herdeiros a certeza de que poderão, de peito aberto, tê-lo com um grande brasileiro. (Senador Arlindo Porto) CLICAR NA FOTO

12 comentários

  1. Nasci em Pirapora, municipio não muito distante de Bocaiúva! meu sobrenome possui Alkimim e Fonseca; alkimim veio da minha mãe e fonseca do meu pai…meu pai se chama José Maria Reis Fonseca.

  2. Foi padrinho de casamento da minha irmã Maria Aparecida de Alkmim, em Eng. Dolabela onde nascemos.

  3. Burity era o pseudônimo do José Henrique Brandão (Juca Brandão), quando escrevia em o jornal, O Debate do Norte de Minas – Bocaiuva – Minas Gerais

  4. Burity era o pseudônimo de José Henrique (Juca) Brandão, quando escrevia em jornal O Debate do Norte de Minas – Bocaiuva (MG)

  5. WALTER DE SOUZA PINTO

    Ola Pedro Rodriguez,

    Que belíssima reportagem sobre JOSÉ MARIA ALKMIM, pois se trata de um dos maiores políticos de Bocaiúva e do Brasil, devido sua grande trajetória política desenvolvida durante várias décadas.

  6. Ao meu saudoso avô José Maria Alkmim que morreu 1 ano antes deu nascer, fica mesmo assim a saudade e o sentimento de orgulho que carrego dentro de mim por ser neto desse humilde homem e desse gigantesco político!! De Onde o Senhor estiver me ilumine na minha caminhada Vô,

  7. Ao meu saudoso avô José Maria Alkmim que morreu 1 ano antes deu nascer, fica mesmo assim a saudade e o sentimento de orgulho que carrego dentro de mim por ser neto desse humilde homem e desse gigantesco político!! De Onde o Senhor estiver me ilumine na minha caminhada Vô,

  8. marcos maurício mendes lima

    Quem me dera ter sido o maior amigo de Juscelino Kubitschek. Possuo um documento dele assinado e, uma foto genial do ano de 1964, à época em que era Secretário do Governo do Estado; a foto é uma reunião no sentido de articular a derrubada de João Goulart. Abril de 1964.

  9. Certamente o maior nome da história política de Bocaiuva. Quando prefeito falar que era da terra do Jose Maria de Alkmin era o segredo para as portas serem abertas. Bocaiuva é um celeiro de grandes nomes, não podemos esquecer do Betinho, Wan Dick, Drumond Amorim, Patrus, dentre outros. Abraços Pedro sem medo e parabéns pela reportagem.

  10. Quando Dr. José Maria de Alkmim visitou Bocaiúva na década de 60, o meu pai, Professor Nonato foi encarregado de fazer o discurso de saudação para ele, mas o meu pai conta que Dr. Alkmim pegou o discurso e colocou no bolso. Naquele tempo não existia a fotocópia, então não ficou com a cópia deste discurso, que era manuscrito e em papel de linho. adelina

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