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Esqueceram de mim: Centenário do eterno prefeito Wan-Dyck Dumont é ignorado

Bocaiúva, 6 de abril de 2017.

 

“Rei morto, rei posto” é um velho ditado popular, não é mesmo? Quando morre é esquecido. Outros, no entanto, só adquirem notoriedade depois que a sua presença física já não está mais entre nós, os vivos.

Sem rumo e vivendo aos trancos e barrancos, Van Gogh foi (ou é?) um desses exemplos. Premido pelas dificuldades financeiras, falta de reconhecimento ao seu trabalho e acessos de loucura, chegou a cortar a própria orelha e pintar o seu autorretrato. Hoje, e desde há tempos, o finado é um dos mais respeitados nomes das artes no mundo dos que ainda não entregaram a alma ao Criador.

Em Bocaiúva, o adágio que coloca pessoas ilustres na geleira do esquecimento cai como uma luva. Geraldo Caldeira Valle, prefeito de Bocaiúva em três ocasiões, sequer tem uma ruela com o seu nome; José Maria de Figueiredo, que por dois mandatos exerceu um trabalho sério e competente, recebeu o nome em um projeto de uma rua que só agora vem ganhando forma; Hélio Carneiro é outro ex-prefeito que merecia maior reconhecimento que um simples nome de rua, mesmo sendo uma rua famosa, por ser pequena e ter sete salões de beleza (cinco femininos e dois masculinos) e 11 viúvas (nenhum viúvo).

E por falar em esquecimento, você sabe em qual dos governos municipais foi construída a Escola Normal? E a administração Fazendária? E a Delegacia de Polícia e Cadeia Pública? E, para economizar interrogações: Escola Odilon Loures, Escola Zinha Meira, Escola Antonico Soares de Sá, Escola Cristina Câmara, Escola Gilberto Caldeira Brant, Escola Américo Caldeira Brant, ponte que liga o município de Bocaiúva ao de Diamantina, o primeiro calçamento de Bocaiúva, água do córrego do Onça (obra iniciada por José Maria de Figueiredo) e inúmeros outros benefícios não só na sede do município como em todos os distritos e comunidades rurais?  Hoje é dia 6 de abril, Primo!

Pois é, hoje de manhã estávamos na Praia do Futuro, aqui em Fortaleza, desfrutando da agradabilíssima companhia do nosso amigo Galba e rememorando os 4 anos que ele morou em Bocaiúva, na década de setenta. Como hoje é o centenário de nascimento de Wan-Dyck Dumont, obviamente o nome dele foi o mais lembrado. Comecei a me penitenciar por não estar presente às comemorações. Liguei pra Bocaiúva e encomendei a gravação de um vídeo.

Ledo engano! A administração municipal não organizou nenhuma programação.  Paranaense, a prefeita talvez não conheça a nossa história ou não tenha ideia da dimensão que o nome de Wan-Dyck Dumont representa para o bocaiuvense; carioca, o secretário de cultura, embora competente e muito dedicado, não deve ter lembrado. Pena! Rádios e jornais da cidade também não fizeram nenhuma menção à data.  Lamentável! Não fosse o advogado e historiador José Henrique (Juca) Brandão, o centenário de nascimento do prefeito que governou o município durante 14 anos passaria totalmente despercebido. Não, é claro, pelos parentes e amigos mais chegados.

Embora o imperdoável descaso daqueles que atualmente estão à frente dos destinos de Bocaiúva, Wan-Dyck Dumont vai continuar sendo o eterno prefeito pelo incomensurável legado que deixou.

Passada a data, provavelmente algum vereador vai “lembrar” na Câmara Municipal, a fim de fazer média com familiares e com a história de Bocaiúva. Agora é tarde, o erro já está registrado.

Por essa e outras razões, Primo, é que eu quero chegar vivo aos 100 anos. Difícil é porque eu moro na Rua Hélio Carneiro. E lá, como eu disse acima, tem 11 viúvas e nenhum viúvo. Em compensação, tem sete salões de beleza: vou morrer bonito.

 

Abraço do

Pedro Ingrato Rodriguez

PS: A lista telefônica TELEPORTAL, edição 2017/2018, que sai neste mês, homenageia Wan-Dyck Dumont com a capa e ilustrações de suas principais obras.

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