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Aos 107 anos, morre Dona Esther, a mulher mais velha de Bocaiúva

Aos 107 anos, morre Dona Esther, a mulher mais velha de Bocaiúva

Aos 107 anos, morreu na tarde deste sábado Esther Magnólia da Silva Borém. O seu corpo está sendo velado no velório da Funerária Araújo, em frente a Maternidade Lia Brandão (Hospital), e será sepultado na tarde deste domingo no Parque Santa Lúcia. Dona Esther, que apesar da idade avançada ainda gozava de boa saúde e vivia sob os cuidados da sobrinha Iris, morreu em casa, à Rua Coronel Versiani. Ela, que nasceu em outubro de 1905, era a mulher mais velha de Bocaiúva.

Veja reportagem sobre Dona Esther, feita por Pedro Rodrigues, em 23 de março do ano passado:

DONA ESTHER: 106 ANOS

Saudade dos filhos e dos amigos

O tenista francês Maurice Germont vence o torneio de Roland Garros, o alemão Adolf von Baeyer ganha o prêmio Nobel de Química e Joaquim Nabuco é nomeado embaixador do Brasil em Washington (EUA). Essas foram algumas das muitas notícias importantes daquele 1905, ano em que voar ainda era apenas um sonho de Ícaro, pois o 14 Bis de Santos Dumont só percorreria, no ar, os seus 60 metros no ano seguinte.

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Na pachorrenta Bocaiúva de então, numa sexta-feira ensolarada de 6 de outubro, nascia Esther Magnólia da Silva,  filha de Deocleciano da Silva Ribeiro (Nenem Ribeiro) e Regina Aurora da Silva. Cresceu rodeada pelo carinho dos pais e dos irmãos, que com ela somava-se 10. De grande talento, era sempre requisitada para, com o seu violão e sua bonita voz, animar as festinhas das colegas de adolescência, nascendo dali, como diz ela, um mundaréu de amigas; sem contar o assédio masculino que a cada dia crescia. O seu coração, porém, bateu mais forte (se engraçou, como diz ela) foi pelo Manoel Borém, que, com o casamento, ganhou um acréscimo no sobrenome e dois filhos, o João e a Elizabeth, ambos já falecidos.  O primogênito com pouco mais de 30 anos, há cerca de 40 anos, em Belo Horizonte; a filha, ano passado, também na capital mineira.

Ainda hoje, quando a saudade aperta, dedilha o seu violão para afugentar a dor. Com dificuldade, é claro, pois os seus 107 anos, a completar em outubro próximo, cansaram os reflexos das mãos e da voz. Ainda assim, toca e canta. Porta aberta, de Vicente Celestino, e O Bardo, de João Chaves, são as suas músicas preferidas.

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Com a morte da filha Elizabeth, Dona Esther retorna a Bocaiúva para morar com a sobrinha Irislana, que dela cuida com todo o carinho e desvelo. Com uma memória privilegiada, relembra infância, adolescência, namoro, serestas e tudo mais que fez e ainda faz parte da sua vida. Fala muito de saudade. Conta, com lágrimas escorrendo pela face, casos dos dois filhos e de um neto  mortos. “Só me sobrou um neto, filho de Elizabeth, o outro morreu”, conta.

Gaba-se de ter tido muitos amigos. “Eu não sei o que eles achavam em mim. Eu não era ninguém importante, mas só andava rodeada de amigas, todas queriam me abraçar, conversar comigo, me convidar pra festas. Era um chamego só, comigo. Agora, sumiu todo mundo, não vejo mais ninguém”, lamenta.

Em momento algum fala em morte das amigas. “Helena Storino mesmo tinha a maior coisa comigo. Eu conheço todos os filhos dela. Ela fez uma festa muito bonita, de cem anos, e eu fui convidada. Gostei muito da festa e até dancei. Agora eu não vi ela mais”, completa, demonstrando não ter conhecimento da morte da amiga há mais ou menos dois anos.

Relembra a chegada de Iris como filha adotiva da sua irmã Angélica e conta, com um senso de humor incrível, como elas a colocavam na bacia na hora do banho. Antes, porém, pergunta à sobrinha se pode contar. Autorizada, rebuscou o passado e as duas caíram na gargalhada.

Preocupada com a aparência, fala com vaidade que era muito bonita e lamenta não ter mais o corpo que tinha antes, quando, conforme diz, era “tudo em cima”. Quando solicitada uma pose para fotografia, pondera: “Retrato é bom tirar é de quem tá novo, bonito. Eu tô ficando velha, a pele tá ficando enrugada. O retrato não sai bom mais não”. E, olhando a foto na máquina: “Essa até que não ficou ruim não”. Animou-se, inclusive a posar tocando violão. Ao dedilhar o instrumento trazido pela sobrinha, reclama: “Traz o outro , este está desafinado e eu não tô sabendo afinar mais não”.

Após filmagem e fotos, embora muito bem cuidada, o agradecimento pela visita e a promessa de estar “mais arrumada da próxima vez”.

Um comentário

  1. minha bisa é de boc e tem 111 anos

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