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Ah se eu aguentasse bala de borracha e gás lacrimogêneo!

Ah se eu aguentasse bala de borracha e gás lacrimogêneo!

Bocaiúva, 20 de junho de 2013.

 

Primo,

 

E aí, como vai de protesto? Ah se fosse 40 anos atrás, ocasião em que eu estava aí em São Paulo “engarrafado” a caminho da Argentina! Jovem, cabeludo e com uma vontade medonha de mudar o mundo, com certeza estaria “garrado”. O Josafá, meu outro colega de serviço, e o primo Orival, mais comedidos, ficariam só olhando, lá do oitavo andar daquele prédio na Avenida Ipiranga, aí pertinho do Largo Paissandu. Eu não, como você sabe, estaria dentro. Hoje, como não agüento mais bala de borracha ou gás lacrimogênio, vou ficar lá no terraço do Hotel Casa Nostra observando o protesto que está programado para esta tarde, na Praça Wan-Dyck Dumont (Praça da Prefeitura).

É isso mesmo, aqui nas redes sociais e nos panfletos que espalharam pela cidade não se fala em outra coisa. A pauta de reivindicações, no entanto, ainda não foi divulgada. Sabe-se apenas, que passagem de ônibus ou de metrô está descartada. Fala-se muito em uma invasão – embora pacificamente – da prefeitura e da câmara municipal, que, segundo os futuros manifestantes, são os locais apropriados para discutir o assunto.

De acordo com integrantes da organização, o número de presenças pode superar os dois mil. Difícil vai ser encontrar o prefeito, o vice, vereadores ou secretários municipais, cujo acovardamento já está previsto.

A expectativa é grande. Enquanto uns apostam no sucesso da manifestação, outros temem que um esvaziamento tal qual aconteceu com a passeata gay há mais ou menos quatro anos se repita. Na ocasião, esperava-se uma multidão e só apareceram Flor de Camilo e Maria Raimunda, o (a) Ray, como se a matéria prima fosse escassa na cidade.

Revoltados – ou revoltadas, tanto faz – sugeriram um desfile de carretas cheias de armários. Conforme disseram, para transportar a irmandade.

Vamos torcer, Primo, para que a manifestação seja, realmente, pacífica e que a coragem do bocaiuvense, que ainda está em dúvida, saia do armário.

Um abração do

Pedro Che Guevara Rodriguez

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